"> Entre diplomas e tortas - Blog Neto Pimentel

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Entre diplomas e tortas

Por Gabrielle Ramos


Mesmo não estando na plateia, e sendo não mais que expectadora, por um instante eu pensei estar no set de filmagem de uma daquelas cenas de comédia-pastelão, ou na gravação de cenas cômicas das novelas de Walcir Carrasco, como Chocolate com Pimenta.


Ao som da Banda Municipal, um fuzuê de pessoas se amontoava para cumprimentar o grande rei da noite. Em meio a salgadinhos e apertos de mão (nem todos) calorosos, a multidão sedenta de um pequeno espaço na foto do "hômi", divertia-se como sendo ela a protagonista do show de vaidades.


Num lapso de tempo, esperei ver mesmo tortas voando e caras lambuzadas, em risos cínicos, fechando emblematicamente o espetáculo! Não era uma esperança comum, os próprios fatos e a sequência de patéticos comportamentos, fizeram-me achar que automaticamente tudo acabaria em tortas!


Se não houve tortas ou bolos, houve palavras esfregadas na cara, algumas até com um gosto de creme, adoçando a noite de uma plateia que lambia os beiços de tanta satisfação. Sobrou arrogância! Faltaram tortas! Ou sobraram tortas - e faltou a tão bradada humildade. Sobraram certezas, faltou o receio que enleva os reais vencedores. Demais estavam as convicções - e só os fracos estão sempre convictos. Sobraram ameaças - subtraíram a amarga civilidade.


Em terra de cego quem tem olho é rei! E o rei declarou: quem não vê é porque é cego. Talvez, à exceção dos mais de quatorze mil cidadãos, esteja eu mesmo vendada, porém de uma cegueira lúcida, que o clarão da tão realidade me obrigue a não enxergar como as coisas realmente são - e estão. Não fazendo eu parte do povo que será governado, mas na tangente, ficou claro para mim, que o governo é só para uns - ou só de uns. Torta na cara!


Tutoia ontem, em tons de cinza, foi dividida (como se já não fosse) em dois grupos - situação e cambirimbas. Os discursos dos diplomados se limitaram a agradecer votos, como se a campanha para o próximo pleito, começasse ali. Nossos representantes pareciam se preocupar somente em continuar um trabalho assistencialista para seu grupo de eleitores - especial e restritamente. Ares de vingança, ares de arrogância... "o curintians ganhou!"


Banda tocando! Flashs, risos frouxos, palmas batidas, apertos de mão ao vento, punhos cerrados e peitos estufados! Equivoco-me! As tortas nem fizeram tanta falta assim. A comédia foi muito bem montada, embora com pouco ensaio. E sem ensaios há falhas que nem os "cacos" conseguem disfarçar! Porque "cacos" são para os bons atores.


Pon-ron-pon-pon a fan-farra só começou!

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