"> CRÔNICA: Gritos de “Socorro” que ninguém ouve! Por Joel Canabrava - Blog Neto Pimentel

quinta-feira, 25 de abril de 2019

CRÔNICA: Gritos de “Socorro” que ninguém ouve! Por Joel Canabrava


“Na tarde de segunda-feira, 22/04/19, homem de 43 anos, alcoolizado, é morto após tentar agredir policiais”. Essa seria só mais uma notícia que estamparia as manchetes dos jornais do Brasil. Seria! Seria, se não trouxesse uma reflexão para atual conjectura. Ela reflete sobre a triste realidade de Água Doce e de tantas outras cidades do Maranhão e do Brasil.

Depois do fato, muito se especulou: houve excesso ou foi bem feito? Era um cidadão ou marginal? Essas duas vozes, até parecem antagônicas, contrárias, mas convergem para um mesmo ponto; ambas são gritos de “Socorro”, mas que ninguém ouve ou não quer ouvir, apesar de ecoarem diuturnamente, sempre! 

A primeira voz (indignada) acusa a polícia de despreparo, por ter matado um pai de família; a segunda (revoltada do mesmo modo), ver apenas um marginal, alguém que agride constantemente a família e, que pronto, foi resolvido, “paciência”! Não vamos discorrer do mérito de quem está certo! Mas uma coisa é certa: essas duas vozes são ecos, que suplicam ajuda.

A polícia sofrendo “inversão de valores”, afirma que “não são super-heróis”, não são “ atores de Hollywood”, com razão; mas não chamaremos nem Batman, nem Lula, chamaremos nossos heróis humanos – a polícia. Entretanto, que não se valore a vida pela quantidade de munição gasta para se tirar uma vida ou garanti-la. A voz da polícia é um eco de Socorro, pois sofre ingratidão, desvalorização, sem condições dignas de trabalho e, que faltam também, muitos outros poderes que “super-heróis humanos” infelizmente não têm. Essa voz tem razão!

Do outro (digo mesmo) lado, o cidadão se revolta também, e ofende e se ofende. Talvez fosse apenas o porta voz de quem já não pode mais gritar e tanto gritou e não foi ouvido; mas esse outro seria/será ouvido? É uma voz com razão; outra voz que ecoa sem ser ouvida. Indignada pelo triste fim de uma história que é constante nos jornais.

Mel (como era conhecido) era sim um pai de família, abandonado pelo Estado, depressivo e alcoólatra (suscetível das possíveis coisas que todos aqueles fazem) e (sujeito às coisas que a grande maioria sofre). Alguns não têm esse triste fado! Todos teriam outro destino se estivessem sendo cuidados. Mas fomos ABANDONADOS! Abandonados, sem saúde, sem educação, sem trabalho, sem dignidade!

Quantos Mel não há por ir (no quase estágio); quantos não estão neste momento surgindo e, quantos outros já não estão fadados. Quantas famílias de Edebrando não estão hoje sendo abandonadas pelo Estado! Lembrei-me da voz de Gabriel, o Pensador em “ Pátria que me pariu, quem foi a pátria que me pariu?” Não, não podemos deixar de gritar juntos, policiais e civis: estamos todos no mesmo coro, no mesmo grito: “Socorro”, onde está nossa mãe?

Não! Não vamos brigar na mesma torcida, enquanto o time adversário comemora um gol! Nossa voz deve ser uníssona para que possamos ser ouvidos por quem deveria cuidar de nós. E, desse modo, não continuarmos sendo apenas Gritos de “Socorro” que ninguém ouve!


Joel Canabrava

Nenhum comentário:

Postar um comentário